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terça-feira, 9 de outubro de 2012
Interpretante
Interpreto o poema de Camões
A ironia no sorriso
O mau gosto do exagero
E o perigo do granizo
Interpreto o dizer das entrelinhas
O sabor do alho e do caju
O calor no sol profundo
E a traição de Capitu
Interpreto a verdade em uma lágrima
O tom de cada vermelho
A maciez dos lençóis de seda
E a imagem por entre o espelho
Interpreto um infinito de sonhos
Infinito de sabores
De mundos
Cores
Só não sou capaz de interpretar
Essa incoerência de sentimentos em não e sim
Mesmo todos eles partindo
De uma essência pura contida dentro de mim
domingo, 30 de setembro de 2012
Poetisa
Em poesia, a prosa é um verso
A lua é de prata, a flor é de vento
O canto é um conto
O amor, um lamento
Em poesia, o sino emudece
A rima é o solo, a palavra é semente
Os arcos tem íris
O céu é real, o infinito não mente
Em poesia, o sonho acontece
A estrada é de flores, o caminho é sereno
O som sintoniza
A alma é pura e o espírito, pleno
Em poesia, nós somos verdade
Em chuva, sol, em dia e breu
Nos pensamentos e abstração
Eu sou tua, você é meu
Mas só
Em poesia
A lua é de prata, a flor é de vento
O canto é um conto
O amor, um lamento
Em poesia, o sino emudece
A rima é o solo, a palavra é semente
Os arcos tem íris
O céu é real, o infinito não mente
Em poesia, o sonho acontece
A estrada é de flores, o caminho é sereno
O som sintoniza
A alma é pura e o espírito, pleno
Em poesia, nós somos verdade
Em chuva, sol, em dia e breu
Nos pensamentos e abstração
Eu sou tua, você é meu
Mas só
Em poesia
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Lágrimas
Você diz não chorar nunca
Nem antes
Nem hoje
Nem depois
Eu admito que choro
Por qualquer momento
Qualquer vestígio
Em pranto, em sorriso
Mas ambos já choramos
Por vestígios
De nós dois
Nem antes
Nem hoje
Nem depois
Eu admito que choro
Por qualquer momento
Qualquer vestígio
Em pranto, em sorriso
Mas ambos já choramos
Por vestígios
De nós dois
segunda-feira, 19 de março de 2012
parafraseando-me
Por favor, não vá embora
Fique aqui, more em mim
Desmorone esse abismo
A menor distância que existe
É a de um sorriso
E onde nosso riso foi parar?
No mais, amor, só quero dormir
Já que a saudade e sua vontade nos afastam
Sonhando eu te guardo dentro de mim
Fique aqui, more em mim
Desmorone esse abismo
A menor distância que existe
É a de um sorriso
E onde nosso riso foi parar?
No mais, amor, só quero dormir
Já que a saudade e sua vontade nos afastam
Sonhando eu te guardo dentro de mim
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Inúmeros números
cem litros de lágrimas
mil facas invisíveis no coração
vinte socos na alma
quinhentos sonhos escorrendo pela mão
trinta horas em silêncio
incontáveis segundos sem sua voz
trinta pedras no caminho
um abismo entre nós
numa matemática precisa
são muitas mágoas para um amor só
mas basta duas, apenas duas palavra suas
para que todas as dores do meu mundo virem pó
mil facas invisíveis no coração
vinte socos na alma
quinhentos sonhos escorrendo pela mão
trinta horas em silêncio
incontáveis segundos sem sua voz
trinta pedras no caminho
um abismo entre nós
numa matemática precisa
são muitas mágoas para um amor só
mas basta duas, apenas duas palavra suas
para que todas as dores do meu mundo virem pó
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Fatias
Pedaços de bolo
Pedaços de pão
Pedaços de gente
Um sorriso daqui
Um suspiro de lá
Fragmentos de olhar
Num dia riso, no outro pranto
Na noite silêncio e canto
O corpo comigo, a alma no vento
Lealdade inexiste em pensamento
Corra, salte, voe
E tome cuidado com o desfiladeiro
Mas, por favor, só seja meu
Se for pra ser inteiro
Pedaços de pão
Pedaços de gente
Um sorriso daqui
Um suspiro de lá
Fragmentos de olhar
Num dia riso, no outro pranto
Na noite silêncio e canto
O corpo comigo, a alma no vento
Lealdade inexiste em pensamento
Corra, salte, voe
E tome cuidado com o desfiladeiro
Mas, por favor, só seja meu
Se for pra ser inteiro
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Duplicidade
Não há como viver duas histórias paralelas
Nem experimentar dois sabores de chá
Não há como assistir dois filmes ao mesmo tempo
Nem estar na Bahia e no Amapá
Não há sequer como escrever duas poesias
Mesmo com duas mãos, só uma sabe dançar
Não há como sonhar dois sonhos simultâneos
Nem dormir e trabalhar
A música só é completa quando exclusiva
E dia com mais dia vira mês
O mundo só gira em torno de uma estrela
O caminho se faz de um passo de cada vez
Até os olhos, ah... os olhos
Janelas de beleza dupla
Mesmo em sua co-existência
São capazes de focar uma imagem somente
E por mais que palavras procurem desmentir
Os olhos, em seu silêncio e igualdade
São, em essência, a verdade
Nem experimentar dois sabores de chá
Não há como assistir dois filmes ao mesmo tempo
Nem estar na Bahia e no Amapá
Não há sequer como escrever duas poesias
Mesmo com duas mãos, só uma sabe dançar
Não há como sonhar dois sonhos simultâneos
Nem dormir e trabalhar
A música só é completa quando exclusiva
E dia com mais dia vira mês
O mundo só gira em torno de uma estrela
O caminho se faz de um passo de cada vez
Até os olhos, ah... os olhos
Janelas de beleza dupla
Mesmo em sua co-existência
São capazes de focar uma imagem somente
E por mais que palavras procurem desmentir
Os olhos, em seu silêncio e igualdade
São, em essência, a verdade
sexta-feira, 19 de março de 2010
Permuta
Troquei a música pelo silêncio
Troquei a espera por saudade
Troquei a uva pelo vinho
E minha casa pela cidade
Troquei os sonhos pelas lembranças
E as lembranças, pela cegueira
Troquei o despeito por nobreza
Troquei meia-noite por uma inteira
Troquei minhas asas por pés no chão
Troquei a dor infundada pela razão
Troquei lágrimas por palavras caladas
Troquei Clash por Chico Buarque
Troquei a viagem por desembarque
E o amor... bem, não troquei por nada
Troquei a espera por saudade
Troquei a uva pelo vinho
E minha casa pela cidade
Troquei os sonhos pelas lembranças
E as lembranças, pela cegueira
Troquei o despeito por nobreza
Troquei meia-noite por uma inteira
Troquei minhas asas por pés no chão
Troquei a dor infundada pela razão
Troquei lágrimas por palavras caladas
Troquei Clash por Chico Buarque
Troquei a viagem por desembarque
E o amor... bem, não troquei por nada
segunda-feira, 15 de março de 2010
Perecível
Não entendo muito bem do que se faz o arco-íris
Se é de gota, do sol ou das pinceladas de um artista
Sei que ele só existe quando é visto
Sua exibição rápida aos olhos da natureza
Só é válida caso em alguma memória se conter
Para mais tarde colorir os sonhos
Muitas coisas só existem se são vistas
Outras só existem se forem vivas
Outras vivas, nem existem
Quando ao invés de “ser” preferem “estar”
Outras existem apenas nas recordações
Há quem viva estando morto
E há quem morra estando vivo
Há pessoas que existem somente em projeções
Sentimentos são inventados, gestos mal interpretados
Uma personalidade forjada aos olhos de quem vê com coração
E não é preciso muito
Pra que a projeção se parta e reste só realidade
Que a princípio dói por ser verdade
Mas não é a verdade que dói
É a mentira antes vivida
Então, quando o encanto se desperta
Tal pessoa inexiste
E se perde num pretérito onde fora esboçada
Vaga por pensamentos, sentimentos
Que se por ora doem, ora se dissolvem e aliviam
Seguindo os moldes de sua aura
Pois bem, hoje alguém morreu em mim
Uma essência de minha própria invenção
Desprendeu-se das minhas vontades
Há um tempo até a completa decomposição do sonho
Que desaparece como o arco-íris
As cores se perdem num azul sem fim
Como tal pessoa se perdeu dentro de mim
Se é de gota, do sol ou das pinceladas de um artista
Sei que ele só existe quando é visto
Sua exibição rápida aos olhos da natureza
Só é válida caso em alguma memória se conter
Para mais tarde colorir os sonhos
Muitas coisas só existem se são vistas
Outras só existem se forem vivas
Outras vivas, nem existem
Quando ao invés de “ser” preferem “estar”
Outras existem apenas nas recordações
Há quem viva estando morto
E há quem morra estando vivo
Há pessoas que existem somente em projeções
Sentimentos são inventados, gestos mal interpretados
Uma personalidade forjada aos olhos de quem vê com coração
E não é preciso muito
Pra que a projeção se parta e reste só realidade
Que a princípio dói por ser verdade
Mas não é a verdade que dói
É a mentira antes vivida
Então, quando o encanto se desperta
Tal pessoa inexiste
E se perde num pretérito onde fora esboçada
Vaga por pensamentos, sentimentos
Que se por ora doem, ora se dissolvem e aliviam
Seguindo os moldes de sua aura
Pois bem, hoje alguém morreu em mim
Uma essência de minha própria invenção
Desprendeu-se das minhas vontades
Há um tempo até a completa decomposição do sonho
Que desaparece como o arco-íris
As cores se perdem num azul sem fim
Como tal pessoa se perdeu dentro de mim
sexta-feira, 12 de março de 2010
Acuada
Mesmo longe, você me persegue
O tempo todo, em todo lugar
Nos carros vermelho escuro
E em qualquer música que tocar
No rabisco do papel
No chiclete de laranja
No cheiro de perfume
De cigarro ou de pastel
Nas ruas escuras
Nos cães desconfiados
Na camisa do meu time
E no hotel desvirtuado
No molho branco e de tomate
Na casa de dois andares
No sanduíche pela metade
Na rua de paralelepípedos
Na teoria do Big-Bang
No resto de comida no prato
Nas lágrimas por mal ou por bem
Nos sonhos não mais sonhados
Nos planos aniquilados
No riso sem sabor
Nas promessas descumpridas
Nas lembranças desmedidas
No cinema quase sem cor
Na canção de Copacabana
Nas noites de fim de semana
Em qualquer sinal de amor
Fique aqui, more em mim
Desmorone esse abismo
A menor distância que existe
É a de um sorriso
E onde nosso riso foi parar?
No mais, amor, só quero dormir
Já que a saudade e sua vontade nos afastam
Sonhando eu te guardo dentro de mim
O tempo todo, em todo lugar
Nos carros vermelho escuro
E em qualquer música que tocar
No rabisco do papel
No chiclete de laranja
No cheiro de perfume
De cigarro ou de pastel
Nas ruas escuras
Nos cães desconfiados
Na camisa do meu time
E no hotel desvirtuado
No molho branco e de tomate
Na casa de dois andares
No sanduíche pela metade
Na rua de paralelepípedos
Na teoria do Big-Bang
No resto de comida no prato
Nas lágrimas por mal ou por bem
Nos sonhos não mais sonhados
Nos planos aniquilados
No riso sem sabor
Nas promessas descumpridas
Nas lembranças desmedidas
No cinema quase sem cor
Na canção de Copacabana
Nas noites de fim de semana
Em qualquer sinal de amor
Fique aqui, more em mim
Desmorone esse abismo
A menor distância que existe
É a de um sorriso
E onde nosso riso foi parar?
No mais, amor, só quero dormir
Já que a saudade e sua vontade nos afastam
Sonhando eu te guardo dentro de mim
segunda-feira, 1 de março de 2010
Descompasso
Quero viver de passado
Que é o que há de mais sólido
E dele resgato apenas beleza
Mas é beleza sem cor, sem gosto
É amargo, oposto
Imutável e invisível aos olhos
E como diz o clichê
O coração não sente o que o olho não vê
Uma beleza que mente
Frieza que a deixa quente
Inverno e verão
Claro e escuro
Eu e você
Eu sem você...
Sem pois, no entanto ou porquê
Sol que se põe sem nascer
Felicidade que não tem prazer
Ápice da normalidade
Uma falta sem saudade
Que me força a ver verdade
Quando prefiro viver de ilusão
Que é o que há de mais sólido
E dele resgato apenas beleza
Mas é beleza sem cor, sem gosto
É amargo, oposto
Imutável e invisível aos olhos
E como diz o clichê
O coração não sente o que o olho não vê
Uma beleza que mente
Frieza que a deixa quente
Inverno e verão
Claro e escuro
Eu e você
Eu sem você...
Sem pois, no entanto ou porquê
Sol que se põe sem nascer
Felicidade que não tem prazer
Ápice da normalidade
Uma falta sem saudade
Que me força a ver verdade
Quando prefiro viver de ilusão
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Desagrado
Sou tempestade em pôr-do-sol
Arco-íris preto e branco
Furacão gentil e brando
Sou mar escuro sem farol
Sou cachoeira longe do rio
Nuvem cinza em lua cheia
Meio-dia e noite inteira
Sou sabiá sem assobio
Sou a espera sem saudade
Mortal na imortalidade
Sou carnaval sem som, nem cor
Sou do tempo, um intervalo
A cegueira em Frida Kahlo
Sou a vida sem amor
Arco-íris preto e branco
Furacão gentil e brando
Sou mar escuro sem farol
Sou cachoeira longe do rio
Nuvem cinza em lua cheia
Meio-dia e noite inteira
Sou sabiá sem assobio
Sou a espera sem saudade
Mortal na imortalidade
Sou carnaval sem som, nem cor
Sou do tempo, um intervalo
A cegueira em Frida Kahlo
Sou a vida sem amor
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Apeteço
Esperei-te
Em cada raiar de sol
Ao passo da dança sem música
Embalada ao som do silêncio
Esperei-te
No tempo palpável aos sonhos
Infinito ao coração
Estreito à realidade
Esperei-te
Em suas desventuras
Insanas incertezas
Desencontro de consciências
Esperei-te
Enquanto dissolvia-se no horizonte
Aquém de meu bem-querer
Ao sol de raios cansados
Esqueci-te.
Em cada raiar de sol
Ao passo da dança sem música
Embalada ao som do silêncio
Esperei-te
No tempo palpável aos sonhos
Infinito ao coração
Estreito à realidade
Esperei-te
Em suas desventuras
Insanas incertezas
Desencontro de consciências
Esperei-te
Enquanto dissolvia-se no horizonte
Aquém de meu bem-querer
Ao sol de raios cansados
Esqueci-te.
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